O crédito está em expansão nos últimos meses no país. Como exemplo, podemos citar o crédito para pessoa física que cresceu 4,4% no primeiro trimestre e com isso, as famílias já comprometeram 22% de suas rendas com o pagamento de prestações para os próximos meses.
E qual o risco para as famílias brasileiras que comprometeram quase 30% da sua renda com parcelas extensas, que vão, por exemplo, até o final deste ano? Segundo Antonio de Julio, instrutor financeiro e profissional do MoneyFit, o risco dessas pessoas é de não conseguir montar uma reserva financeira para os momentos de crise, como por exemplo, perda de emprego, alguma situação de emergência com saúde ou até mesmo reparos emergenciais nas suas residências ou veículos.
Segundo Antonio de Julio, para as pessoas que já comprometeram sua renda de forma arriscada, o primeiro passo é parar de gastar urgentemente, colocar seu dinheiro na “U.T.I.” financeira e sair dessa situação o mais rápido possível. Se vier um aperto monetário da taxa de juros, a situação só tenderá a piorar. Neste caso, ele destaca ainda que as pessoas precisam entender que o dinheiro não foi feito apenas para gastar. Ao quitar uma dívida, ela tem que se preparar melhor antes de entrar em outra. “Não é porque o dinheiro sobrou que tem que ser gasto. Ele pode ser aplicado para um dia gerar mais dinheiro e essa cultura tem que ser criada, pois, todas as pessoas estão sujeitas a um efeito noé, ou seja, algo de grande impacto na vida, assim como nos aspectos financeiros, um dia com certeza irá ocorrer”, ressalta Julio.
O caminho para sair do estado devedor, equilibrar as contas, para enfim poupar é difícil, mas não é impossível. Antonio de Julio explica que talvez a mudança de estado devedor para o estado poupador seja a mais difícil de ocorrer. Não só pelo endividamento em sí, mas pelo estado mental da pessoa. Ela tem que entender que guardar, que seja um pouco por mês, já muda o seu padrão mental com relação ao dinheiro.
Para equilibrar as contas, não tem mistério e nem milagre. O que entra de dinheiro deve ser maior do que o que sai. O limite do cheque especial está disponível para uma EMERGÊNCIA e não para ser adicionado ao seu saldo bancário.
