Dica do especialista
Mensalmente, um especialista dará seu recado por meio de um bate-papo rápido e direto. As perguntas são simples para ajudar você a arrumar suas finanças e não entrar no vermelho nunca mais.
Acompanhe!_____________________________________________________________________
Especialista dá dicas para organizar suas finanças
O entrevistado deste mês é o publicitário Júlio Sampaio, autor do livro O Espírito do Dinheiro. Para escrever o livro, o autor partiu de suas próprias experiências pessoais e financeiras. Ele mesmo passou por um revés em sua vida financeira e teve de recomeçar do zero. Segundo ele, o mais importante na vida financeira é ter Consciência, tanto do quanto se ganha como do quanto pode se gastar para não ficar trocando uma dívida por outra. Confira abaixo suas dicas!
1 – Qual sua dica para quem quer sair do vermelho?
Júlio Sampaio: O primeiro passo é a pessoa se conscientizar de que não é uma questão do quanto se ganha, mas de determinação de se viver dentro deste limite. Há pessoas que ganham pouco e que conseguem economizar, outros ganham muito mais e estão sempre no cheque especial. A diferença está na organização e na disciplina. A recompensa para isso é a tranqüilidade e a segurança de estar no comando de sua própria vida. Que é você que determina as suas prioridades e não os apelos imediatos de consumo. Para quem já está no vermelho, é preciso relacionar as dívidas, a receita mensal e as despesas regulares. A partir daí, traçar um plano de ação. Algumas dívidas talvez possam ser renegociadas, outras devem ser priorizadas, principalmente aquelas que envolvem pessoas físicas.
2 – Por que recomenda esta dica?
JS: Porque estas pessoas têm sentimento e confiaram em nós. Se não as pagamos, humanamente, sentem-se traídas e começam vibrar negativamente contra nós, além de falar para outras pessoas que não somos confiáveis. Isto prejudica a nossa credibilidade e destrói o nosso maior patrimônio, que é a reputação, a confiança das outras pessoas. Se devemos e não podemos pagar naquele momento, o mínimo que precisamos fazer é dar alguma satisfação, informando que acertaremos o devido, quando possível. Este simples ato pode retirar uma boa carga de sentimentos negativos que são dirigidos contra nós, quando estamos nesta situação. Em relação às dívidas com as pessoas jurídicas, como um banco, por exemplo, é lógico que também precisam ser pagas. No entanto, trata-se de uma operação comercial, que não envolve sentimentos.
3 – Qual o conselho que costuma dar para quem não quer entrar no vermelho nunca mais?
JS: Conscientização e disciplina. É preciso criar novos hábitos e para alguns, isto pode ser muito difícil. Há pessoas que se habituaram a viver com dívidas e substituem umas pelas outras. É preciso quebrar este ciclo.
4 – Na sua opinião, quais são os maiores erros das pessoas que ficam endividadas?
JS: Nem todos percebem o quanto as dívidas nos prejudicam. Elas representam uma redução da renda futura, uma vez que uma nova prestação reduz o valor líquido do salário disponível nos próximos meses. Além disso, há a redução do poder de ganho real, em função dos juros, que são tradicionalmente muito altos no Brasil. O ganho seria duplo se, ao invés, de pagar estes juros, formos beneficiados pelos rendimentos de sua aplicação até termos o dinheiro suficiente para efetuar uma compra à vista. Se somaria a isto, ainda, o poder de negociação e preços menores para este tipo de pagamento. Quem compra a prazo, sempre paga mais. Além do custo financeiro em si, ainda há o custo da intranqüilidade. A vida é formada por incertezas e as dívidas nos deixam fragilizados frente a elas, e o melhor exemplo disso, é o desemprego inesperado. Libertar-se das dívidas é como sair de um trânsito engarrafado e ingressar em uma avenida livre. Os caminhos se abrem e novas oportunidades aparecem. Vale a pena o sacrifício para chegar lá.
5 – Como evitá-los antes que entre neles?
JS: Tomar a firme decisão de não fazer dívidas. Priorizar pagar as que já existem e treinar a paciência, procurando poupar antes para consumir depois. É preciso criar uma barreira contra as mensagens de consumo imediatista.
6 – Mais alguma coisa que ache interessante e queira comentar?
JS: No livro O Espírito do Dinheiro (Editora Qualitymark) procuro abordar um aspecto que é desconhecido pela maior parte das pessoas. A forma como o invisível pode influenciar a entrada e a saída de nosso dinheiro. Não temos uma completa gestão sobre estes aspectos, mas podemos influenciá-los fortemente através de nossas atitudes. Está relacionado a forma como ganhamos o nosso dinheiro, o sentimento que cultivamos por ele e a forma como o utilizamos. Manter a organização, viver dentro da realidade de cada um e evitar dívidas estão nesta última esfera, mas existem outras. É preciso desenvolvermos uma nova cultura para nos relacionarmos com o dinheiro e assim transformá-lo em meio para cumprir a nossa missão e sermos felizes, ao invés de aprisionados por ele, ou pela sua falta.
